Este projecto nasce, sobretudo, de uma necessidade de perceber aquilo a que chamaria a evidência da possibilidade e onde ela se encontra. Analisar cada vez que algo acontece no meu corpo e como é que esta evidência reflecte o rizoma de que somos feitos, olhando desta forma para mim e para os que estão dentro de mim como receptores, numa forma não hierárquica de saber (sendo também aqui o saber encarado como nós num todo de convergências e relações, infinitas e algumas limitadas), cada um. E é nesta evidência que tudo acontece.
Mas assim permanece a inquietude de não compreender em que ponto exacto do processo é que essa vivência se transforma no corpo dela como evidência da possibilidade mais forte. Decido chamar-lhe limbo. Porque faço Matemática e quero ser performer, porque me considero performer e faço matemática e só neste limbo consigo criar, seja em que direcção for. Porque sou mulher e sinto uma energia masculina dentro de mim capaz de derrubar um ou outro mundo, porque não consigo ser homem e sinto necessidade de ser a mulher que sou. Porque somos assim: no limbo
entre contrários - ou talvez lhes possamos enfraquecer as propriedades e chamar conceitos parcialmente divergentes – é que algo acontece no meu corpo na sua forma mais pura, ou seja, evidente e resultante do processo de filtragem do rizoma.
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