Começou por ser uma conversa. “Que isto é muito difícil estarlonge dela e com ela também não. Sofro cá sem lá e lá tenho saudade
de cá”, dizia ele. Ela escreveu umas coisas, apontou outras e ficou
assim. Um ano depois tornou-se evidente que tinha que ser. Tinham
que falar da mãe dele. Mas não era o Édipo, não era o Amor,não era
nada disso. Era ele e ela, a mãe dele, numa tentativa desesperada de
viver sem lá mas cá, sempre cá um lado que deseja lá. E decidiram que,
para que isto se tornasse verdadeiro, teriam que partir do que
encontrassem daquilo neles. O que é que dela havia nela e dele havia
nele já fora dele porque em interacção com ela. E, no processo, deixou
de ser ele e e passou a ser ele com e/ou sem ela. Eles amam-se, eles
desejam-se, eles cuidam-se e eles rejeitam-se. Mas esse amor e esse
cuidar é na essência. Nunca, nem que se mate um deles num qualquer
recanto do imaginário do outro, eles deixarão de o fazer. Nem que seja
longe, com limites e castrações. Mas estão lá. E depois surge o medo. E
a aflição. E porque nunca conseguimos segurar nas mãos o coração de
alguém, e porque nunca conseguimos sequer olhar nos olhos de nós,
ficamos ali. Sem sair, sem perceber.
Entretanto surge o outro, aquele que nos fez mudar
muito,aquele que ao criar a música nos fez criar uma relação
inesperada, que nos fez sentir mais perto, mais longe, sós e umbilicais.
E disto tudo nasce o “Projecto Mãe”.


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