segunda-feira, 29 de outubro de 2007

E assim me despi

"É de noite e falta-me apenas um quase para estar sozinha no quarto. Ou, no rigor, o quarto está sozinho comigo. Nesta mesma cama sonhei tantas vezes que o meu amor vinha pela rua, eu escutava os seus passos, cheia de ânsia. E antes que ele chegasse, corria a fechar a porta. Fosse esse gesto, o de trancar a fechadura, o meu fingido valimento. Eu fechava a porta para que, depois, o simples abrir dos trincos tivesse o brilho de um milagre." Mia Couto
E assim fiquei, despida. Consegui olhar-me, tocar-me, sentir-me e percebi-te. "O coração é como a árvore-onde quiser volta a nascer."

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Deitei-me ao teu lado e solucei. Perguntei-te porquê e disseste "é a solidão meu amor. Deixa-nos assim, consumidas por dentro e estropiadas na pele". Não quis dizer-te que não, que é outra coisa, aquela outra coisa que proibiste na minha boca e que já arde na língua e me deixa aquele sabor amargo que faz as lágrimas escorrerem pelo meu rosto. Este que estará consumido dentro de dias, semanas, meses, anos. Queria-te. Queria-te diferente de todas as vezes que te quis. Queria-te para te dizer que não te podia ter,não me era permitido. Tinha ficado lá um pouco de mim. Enfiado num qualquer recanto da minha memória. E podia tanto amar-te...