quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Fase intra-uterina



É isto que é. Prestes a nascer, prestes a sentir. Algo de novo vem a caminho. Só que, na inexperiência, fica-se perplexo, inábil, à espera que aconteça. E depois não se sabe o que vem, sente-se o mistério do que vem, se bem que o momento de concepção já é algo guardado numa das gavetas, completamente identificado. Mas sem cuidado da lembrança, que já não se encontra, por mais que se deseje. E assim fico. Perplexa, inábil, à espera. Tenho medo de me esquecer do quê.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Inside

às vezes é tanta tanta de tanto que não sei como vou sair dali. quero quero quero, mas como sempre não consigo. porquê? porque falta aquilo que vem de lá bem do fundo, visceral, que se sente só quase nunca mas que se espera uma vida inteira, todas as horas e todos os minutos. quero tanto de tudo que soluço, que fico aqui a estremecer de tanto ecoar cá dentro. mas só sai de uma forma. aquela, a que conheço que quero e me faz sentir em mim. antes de te querer quero-te sentir. vamos embora daqui. tenho medo do eco. inside it doesn't feel good. and doesn't go away. what can i do? posso sempre esperar...ou não. e amanhã é um outro dia.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Um chá

- Amanhã vai chover.
- E o caos instala-se nesta mesa.
- Se chover? Queres ficar na cama?
- Sentir-te em mim num chá partilhado.
- Podíamos fazer amor.
- E, no silêncio, consigo dizer: vamos.
- Jogar com as palavras?
- Aguento-me. As grades ajudam-me a chegar.
- Ou então jogar com os nossos movimentos projectados na parede.
- Mascaremo-nos. É dia de nós, dali.
- Pela sombra
- Desperdiço este centímetro de loucura
- Ou talvez pelo sol?
- Insanas. Perdidas num olhar no escuro.
- Se estivermos à sombra:
- Esperamos. Até ao fim da memória.

E assim foi. O nosso chá.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

E assim me despi

"É de noite e falta-me apenas um quase para estar sozinha no quarto. Ou, no rigor, o quarto está sozinho comigo. Nesta mesma cama sonhei tantas vezes que o meu amor vinha pela rua, eu escutava os seus passos, cheia de ânsia. E antes que ele chegasse, corria a fechar a porta. Fosse esse gesto, o de trancar a fechadura, o meu fingido valimento. Eu fechava a porta para que, depois, o simples abrir dos trincos tivesse o brilho de um milagre." Mia Couto
E assim fiquei, despida. Consegui olhar-me, tocar-me, sentir-me e percebi-te. "O coração é como a árvore-onde quiser volta a nascer."

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Deitei-me ao teu lado e solucei. Perguntei-te porquê e disseste "é a solidão meu amor. Deixa-nos assim, consumidas por dentro e estropiadas na pele". Não quis dizer-te que não, que é outra coisa, aquela outra coisa que proibiste na minha boca e que já arde na língua e me deixa aquele sabor amargo que faz as lágrimas escorrerem pelo meu rosto. Este que estará consumido dentro de dias, semanas, meses, anos. Queria-te. Queria-te diferente de todas as vezes que te quis. Queria-te para te dizer que não te podia ter,não me era permitido. Tinha ficado lá um pouco de mim. Enfiado num qualquer recanto da minha memória. E podia tanto amar-te...

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Quem morre?



"Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não
muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa
com quem não conhece.
Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um
redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu
trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de
um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projecto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que
sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço
muito maior
que o simples fato de respirar. Somente a perseverança
fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade."Pablo Neruda


domingo, 26 de agosto de 2007

Sinto-me assim


Hoje sinto-me assim...só apetece estar aqui,sem mais.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Sonho

Quero,porque quero,porque não sei não querer.aqui a parte de conseguir ou não já me é mais distanta.porquê?talvez porque esta história dos amores impossíveis tem que se lhe diga,principalmente quando se acredita profundamente numa qualquer possibilidade,ínfima,que lhe atribua sentido. mas como sempre,há uma caminhada que justifica o sonho.este é o meu.assumido,chorado,sofrido,mas sempre presente,sempre cá dentro a martelar,a querer sair.e eu respeito isso.porque tenho que respeitar,não posso deixar passar ou fingir que não está aqui.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Crescer

Hoje foi um dia bom.Encontrei algo numa folha de um caderno de capa preta A5 perdido no meio de uns livros que me fez parar. Confesso que não me lembro a quem me dirigia,mas fiquei tão feliz por perceber que, algures no tempo, tive vontade e partilhei aquilo.Já nem me lembrava daquele momento,mas percebi que realmente estive lá.E um sorriso veio. Do tamanho destes momentos em mim.Aqui vai:
"La voiture près du restaurant où nous sommes allés...avec une autre personne qui est simplement ta femme...je crois.Bon,je ne sais pas quel est le sujet de ces mots,ce que je sais est que je suis au milieu de tous ces choses qui s'évanoiuent près de moi. Je porrais te dire que je t'aime,mais je ne peux pas,parce que ce n'est pas possible,n'a du sens."

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Bolo de Coca-Cola

Ingredientes:
1 chávena de cacau
2 chávenas e meia de açucar
3 chávenas de chá de farinha
1 colher de sopa de fermento
1 coca cola pequena (20Cl)
raspa de 1 limão
5 ovos
500 gramas de margarina

Preparação:

Bata o açucar e a manteiga derretida, junte as gemas, o cacau, a raspa de limão e por fim a farinha com o fermento e a cola.Bata as claras em castelo junte tudo delicadamente e leve ao forno cerca de 35 minutos ou até cozer numa forma redonda com orifício no meio.

Nota:

  • Este bolo fica com aspecto meio húmido.
P.S. Impressionante o que somos capazes de descobrir. Este chama-se bolo de Coca-cola.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Início

Gosto de começar. Seja o que for. às vezes é difícil,pois pesa a responsabilidade de continuar,de terminar até. Mas obriguei-me a um outro exercício-deixar-me levar e não me preocupar. É bom ter vontade de. Só isso basta. O resto vem, se não vem é porque não foi de verdade. Volta-se então atrás e mais uma vez se começa. A vontade,claro. Tem que se trabalhar, pensar nisso. Senão não fnciona. E, como vou iniciar algo na minha vida, decidi iniciá-lo com uma dedicatória ao meu mais-que-tudo versão 2kg de maldade no seu estado mais puro,sendo que até se confundiria com um peluche de prateleira.Pois claro, é o Ruffini. E eu aderi a esta coisa do diário sem chave,aliás,com marketing e tudo.Não sei. Muito estudo, algumas reflexões relativas ao movimento no contexto dos materiais performativos,e solidão. Assim é a decisão. Neste momento sim, partilhar assim. Nem percebi muito bem o quê. Talvez nem me inquiete.