sábado, 27 de novembro de 2010

Foco versus Dispersão

Tento de forma regular e desesperada desafiar-me a pensar no que não faz parte dos meus caminhos possíveis, naquilo que não compreendo e é verdadeiramente distante do que foram e são as minhas vivências e todo o processo de consciência delas. Para poder cada vez especializar-me mais no infintesimal dentro de mim, obviamente tenho que fazer um exaustivo trabalho de observação e interacção. Tentar perceber que tipo de conflitos, harmonias, espelhos e opostos são possíveis e como se trabalham no sentido da percepção em confronto ( nem sempre ) com a análise racional do momento associado à circunstância de qualquer acontecimento. Mas é um trabalho difícil. Geralmente, quando me proponho esta tarefa, afungento os demais. Talvez pelo medo da análise mais profunda, talvez por confundirem desejo de conhecer melhor e analisar os detalhes com amor, paixão ou, ainda pior, obcessão. Talvez porque embata com gente cheia de medos, traumas e afins. Talvez porque seja demasiado intenso este processo de pesquisa. Talvez porque as trate desrespeitosamente como objectos de estudo. Talvez porque esta honestidade fira. Mas eu não sei ser outra coisa senão esta, que se apaixona por pormenores que congela e analisa, independentemente dos possíveis sentimentos associados a um estado vulgar de paixão.

domingo, 21 de março de 2010

Domingo-Introdução

Domingo - Introdução


  • Aceitar que tudo pode mudar a qualquer instante, incluindo os valores relativos do desejo e da vontade.
  • Aceitar que a decisão nunca vai ser o factor importante do percurso.
  • Aceitar o corpo como "o" instrumento de trabalho.
  • Aceitar a impossibilidade e a universalidade como distantes desta pesquisa.
  • Aceitar que nunca vai ser um espectáculo. São sempre Teoremas enunciados e demonstrados.
  • Aceitar a diferença dos "eus", torná-los objectos artísticos.
  • Aceitar que nunca passará de uma possibilidade.
  • Aceitar os cinzentos todos.
E assim construo a minha prisão.

P.S.: Apenas um possível resumo de uma possível introdução.






quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

parar o tempo






Tenho algumas dúvidas em relação ao espaço efectivo onde me encontro. Acontece-me olhar e não reconhecer um ou outro pormenor, e a partir daí perceber que tudo muda com a consciência da existência de novos elementos. Acontece-me assim também no resto; esbate-se o foco e deixo de compreender o que está a acontecer, qual o pormenor que não tive em conta e que permitiu o esfumamento do que estava assente. Gostava de ter um raio-x que me permitisse uma hiper consciência em todos os sentidos e direcções e poder parar o tempo para poder integrar toda a informação e só depois reagir. Não se pode decidir uma acção sem mais, não é possível. Quanto mais assente em certezas estiver, mais erros consequentes estarão presentes no processo, e vamo-nos embrulhando em novelos surgidos de uma pequena falta de capacidade de paragem do tempo.
É desta prisão que falo quando danço, é esta prisão que me incomoda quando procuro movimento, e que me turva a capacidade de imaginar-me livre, de criar a partir de um pressuposto de liberdade que não atinjo, que não é possível dadas as características destes eus que se vão manifestando dentro de mim.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Não desistir





Tenho dificuldade em desistir. Não porque me apeteça muitas vezes continuar, mas porque me custa demais não cumprir, começo a sentir uma pequena dor a instalar-se nas minhas articulações, a crescer e propagar-se até ter que contiuar para a poder aliviar. É então que percebo que decidi continuar e que não há forma de não o fazer, dói demais. Em si, este facto é interessante, mas a perspectiva, apesar de muito alargada em direcções muito específicas, diminui substancialmente quando a direcção é alterada, e aí se inicia um estado de prisão constante. Prisão a duas ou três direcções muito específicas e tudo o resto me parece uma liberdade que nem chega a ser desejável por ser tão distante desta realidade enjaulada. No entanto, neste cantinho pequenino de cada uma destas direcções coloca-se o mundo inteiro, desfaz-se, corta-se, recorta-se, constrói-se e reconstrói-se tudo, num rizoma de possibilidades regido por leis auto-propostas.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Teia




A minha vida resume-se a uma teia. Uma jaula, uma máscara, um jogo de espelhos. Eu resumo-me a um emaranhado de ideias, acumulações de tanta coisa que me faz ficar perplexa perante eu mesma reflectida em cada uma dessas coisas. Mas nada funciona. Eu quero, eu crio, eu faço, eu tento, eu concorro. Eu tenho uma cvontade cá dentro capaz de destruir tudo o que me rodeia. Mas, no fim, sobra-me a imagem de mim no meio dessa destruição.
Gostava de mudar de vida. Gostava, não de recomeçar, mas de poder continuar de outra forma, sem preconceitos, sem medo do que posso ter cá dentro, de tanto que tenho para dar e ninguém quer. Porque é demais e o demais não vale a pena. Porque sou velha, digo. Porque tens alguma idade, dizem. Porque os livros que li, as viagens que fiz, os espectáculos que vi, aquilo que tive oportunidade de aprender e me marcou e me moldou assim não vem no C.V. . Porque aquilo que me move é outra coisa que não o que é. É sempre o que poderá vir a ser, a expectativa de que tudo pode ser mas nunca será.
Queria poder cortar-me aos bocadinhos e fazer de mim uma experiência laboratorial. Porque me acho interessante do ponto de vista anatómico-intelectual. Arrogância?Não, curiosidade. E assim faço, vou-me cortando aos bocadinhos e fazendo de mim uma experiência, tranformando-me lentamente num bom material de estudo, um objecto artístico.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Noses. Assim inicio.


Performance Noses


Este projecto nasce, sobretudo, de uma necessidade de perceber aquilo a que chamaria a evidência da possibilidade e onde ela se encontra. Analisar cada vez que algo acontece no meu corpo e como é que esta evidência reflecte o rizoma de que somos feitos, olhando desta forma para mim e para os que estão dentro de mim como receptores, numa forma não hierárquica de saber (sendo também aqui o saber encarado como nós num todo de convergências e relações, infinitas e algumas limitadas), cada um. E é nesta evidência que tudo acontece.

Mas assim permanece a inquietude de não compreender em que ponto exacto do processo é que essa vivência se transforma no corpo dela como evidência da possibilidade mais forte. Decido chamar-lhe limbo. Porque faço Matemática e quero ser performer, porque me considero performer e faço matemática e só neste limbo consigo criar, seja em que direcção for. Porque sou mulher e sinto uma energia masculina dentro de mim capaz de derrubar um ou outro mundo, porque não consigo ser homem e sinto necessidade de ser a mulher que sou. Porque somos assim: no limbo

entre contrários - ou talvez lhes possamos enfraquecer as propriedades e chamar conceitos parcialmente divergentes – é que algo acontece no meu corpo na sua forma mais pura, ou seja, evidente e resultante do processo de filtragem do rizoma.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Reflexões àcerca de nós em mim




Quero falar de momentos, das histórias que são as nossas. De
todos os que tenho dentro de mim em conflito ,num limbo
povoado de restrições convergentes para ti, fora de mim.
Perpetuar o teu dedo pequenininho no momento em que viras as
costas, para voltar um segundo depois. Parar, ficar ali encostada
à textura daquele botão de dedo na sua fragilidade que me turva
a capacidade de focar, de torná-lo memória. Na minha pele ele
fica, no meu nariz. E a ti te digo: vamos embora, eu vou contigo.
Quem és tu? Outro qualquer bocado de mim, enfiado num qualquer outro recanto da
minha memória.